sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Carta de Tancredo Neves psicografada por Robson Pinheiro.



Amigos e companheiros espiritualistas da nação brasileira,

Nosso país passa por momentos incomuns em seu cenário político, econômico e social, mas, sobretudo, por uma crise sem precedentes de ordem espiritual, a qual se faz perceber nos desdobramentos do nosso momento político e na conjuntura socioeconômica na qual estamos todos inseridos e imersos.
Não podemos ignorar as palavras de Allan Kardec ao registrar que de ordinário, são eles [os espíritos] que vos dirigem. Sob esse pensamento, que traduz a realidade da vida nos bastidores de todas as ações humanas, sabemos que as dificuldades enfrentadas pelo povo brasileiro não são somente da parte daqueles que detêm o poder ou que o veem fugir de suas mãos. Nós enfrentamos, neste momento, um dos casos mais graves de obsessões complexas num âmbito generalizado em nossa nação. O país passa por uma crise espiritual na qual as forças da oposição ao progresso culminaram com a derrocada de valores e conquistas do povo brasileiro, afetando, em grande medida, as instituições públicas. Tudo isso levando-se em conta que, desde os bastidores da vida, espíritos representantes das sombras, das trevas mais ínferas, têm manipulado suas marionetes —políticos, homens públicos, empresários e homens do povo, desde as pessoas mais comuns até aquelas que em alguma grau detêm poder ou liderança sobre a multidão e, ainda, as que formam opinião são capazes de influenciar a situação reinante — a qual, a cada dia,agrava-se a passos claros.
Não podemos desconsiderar que a arma da qual se utilizam os representantes das trevas deste século é eficiente o bastante para minar as forças daqueles que querem acertar, pois formam quadrilhas, grupos de poder para os quais é mais importante sua manutenção no poder, a qualquer custo, do que o bem-estar do povo e das instituições que zelam por nosso futuro promissorcomo nação.
Não nos esqueçamos de que, por trás de homens, estão as hostes espirituais da maldade, que fazem de tudo para saquear os cofres públicos, solapar a economia, fraudar, corromper os valores éticos, assim roubando do povo brasileiro sono de sossego ou fé em dias melhores. A estratégia dessas entidades consiste, em larga medida, em promover a desgraça daqueles homens e daquelas instituições que ainda acreditam e representam o bem, a honestidade, a retidão de caráter e os valores que nos tornaram, ao longo dos séculos, a grande nação que somos. É a política das trevas, por meio de suas marionetes encarnadasdeturpar tanto o significado quanto a razão mesma da ética e de valores nobres e sadios mediante o assassinato da fé do povo, alardeando uma visão populista ao mesmo tempo que encobre sua verdadeira face de estandarte do mal e das forças da escuridão. 
Estamos em plena guerra espiritual, na qual o campo de batalhas está cada vez mais próximo de nós, de nossas famílias, de nossas vidas. Não mais podemos pensar num tempo de tranquilidade ou de aparente segurançapois ninguém está seguro diante dos lobos travestidos em peles de ovelhas com seus discursos preparados para enganar e levar a multidão a erro. Em troca, deixam as migalhas caírem de seus cofres particulares, ou dos cofres e das contas bilionárias das quadrilhas que tomaram de assalto e aparelharam o governo, o país e as instituições que deveriam nos representar.
Mas não estão sós esses homens que assim agem. Como marionetes das forças das trevas, eles representam um forte aparato de guerra que é utilizado a fim de retardar o progresso e fazer com que as instituições do bem sejam afetadas diretamente, pela força, aarrogância, as mentiras e as pretensões das quais se valem para fazer afundar o barco da nação brasileira.
A política faliuos homens públicos falirammuitas empresas sucumbiram mediante o abuso daqueles que tentam dominar a qualquer custo, e, inclusive, muitos homens de bem, muitas pessoas de boa vontadeiludidasdeixaram-se levar pelas promessas vãs, pelas políticas públicas populistas, com seu idealismo patético a distribuir suas migalhas, que ainda hoje retêm a população mais sofrida na situação de dependência crônica dos programas forjados para iludi-la, visando à ignorância do povo acerca do que se comete nos bastidores. Misérias e bolsas oportunistas são oferecidas à gente pobre mas também aos ricos, enquanto lobos vorazes pilham a economia e buscam se manter disfarçados de ovelhas no comando de uma das maiores nações do planeta. 
Não nos enganemos, meus amigos, pois não estamos lutando contra a carne e o sangue”, mas, como disse o apóstolo Paulo, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século,contra as hostes espirituais da maldade. Em outras palavras, a guerra não é contra homens, apenas; com efeito, é de ordem espiritual. Nosso discurso não é meramente político, mas de convicção espiritual da realidade dos seres trevosos com os quais lidamos.Quem é incapaz de perceber a gravidade da hora, o estiramento das convicções e o assalto aos valores em pleno curso, deve-se indagar, honestamente, se sua visão já não está comprometida pelos feiticeiros da hipnose vigente, pelos artífices da derrocada da nação brasileira, dos dois lados da vida.
Por isso, hoje não nos resta uma alternativa plenamente confiável, embora vislumbremos a possibilidade de modificar esse panorama, dando um novo rumo ao nosso futuro. Se, por um lado, não se apresenta alguém que reúna condições genuínas e plenas de representar a nação e o povo brasileiro fazendo frente a esta marca da corrupção que avassala desde Brasília até a base mesma da sociedade — isto é, o povo comum, pelo menos nos resta a alternativa de optarmos por uma ética ou, quem sabe, pela possibilidade de mudar, uma vez que o horizonte não nos aponta um líder ou uma liderança isenta de chances de perpetuar o erroOu, mais modestamente: diante do quadro dramático em que se vê a nossa nação, errar menos já seria de muito bom grado diante do extremo a que chegaram os representantes eleitos democraticamente pelo nosso povo, iludido pelas promessas, as mentiras e as ideologias de um governo dos mais corruptos que a história do Brasil já conheceu. Diante de tamanha manipulação mental, hipnótica e sensorial empregada por aqueles que formaram a quadrilha que nos governa desde os bastidores do Palácio da Alvorada até os bastidores da vida, sem dúvida errar menos já significaria grande avanço.
Nosso momento é grave, não somente economicamente, mas espiritualmente falando. Sobretudo do ponto de vista espiritual, pois sabemoscom mínimo de perspicácia e observação, que forças ocultas estão em plena concentração na tentativa de afundar o barco da nação brasileira, sobre a qual já foi dito, um dia, que deveria ser o coração do mundo e pátria do Evangelho. 
Segundo podemos constatar, o coração está parando; está enfermo e precisando urgentemente de uma cirurgia moral, ética e espiritual. E é raro que um processo cirúrgico não cause apreensão e seja indolor
Em caráter emergencial, precisamos nos irmanar em oração, todos os que de alguma maneira querem o bem do povo brasileiro. Precisamos pedir a Jesus que tenha misericórdia dos filhos desta terra e das lideranças e dosrepresentantes do povo, mas que também sustente os esforços daqueles poucos que resistem e querem acertar; dos que militam em defesa da ética, da justiça, do desmascaramento dos lobos que enganam e enganaram a multidão num momento frágil de sua fé no futuro e utilizaram do poder de barganha para comprar com promessas levianas aqueles que não souberam e ainda não sabem distinguir entre a ovelha e o lobo  este, bando que governa, distribuindo migalhas em troca de votos e popularidade. Quem sabe, clamar para que os cidadãos sejam capazes de discernir e identifiquequem deseja ajudar educando e objetiva, de fato, libertá-los da miséria, da servidão da consciência e da ignorância. Precisamos nos reunir em oração, mesmo aqueles que de alguma maneira ainda se deixam levar pelas promessas que já se mostraram vazias e pelo idealismo disseminado em nome desta política desumana, que com certeza não tem sua origem nos dirigentes espirituais da nação, mas nas hostes da maldade, nos representantes da escuridão que estão encastelados nos corações daqueles que, em troca do sofrimento do povo brasileiro, tentam dominar e perpetuar-se no poder a qualquer custo.
Nosso convite é para orarmos, juntarmos nossas energias e possibilidades espirituais, não somente vibrações, para que nos pronunciemos cada vez mais. Que tenhamos a coragem de sair de nossos lares, de ir às ruas, de nos manifestar pelo bem e pelo direito, pela vitória da ética e da dignidade. E não falo aqui a favor ou contra partidos políticos, mas a favor do bem, da justiça e das conquistas de nossa nação. 
Que possamos descruzar os braços, sair do comodismo diante dos acontecimentos, tentando de alguma maneira nos pronunciar a fim de não darmos ainda mais razão ao pensamento de que, se o bem não domina, é porque os bons são tímidos — ou fracos. Sem que se ergam os cristãos como dantes se ergueram perante as arbitrariedades dos ímpios, que culminaram nos circos romanos da Antiguidade; sem que nos mexamos e façamos a nossa parte — muito mais do que simplesmente rezarmos e pedirmos ajuda ao Alto, sabendo que todos somos a ajuda que o Alto envia para agir no momento de crise —; sem isso, se não agirmos e formos proativos, seremos apenas uma voz rouca queaos poucos, será silenciada em meio à multidão dos que sofrem e do poder dos marginais a serviço da escuridão. Seremos apenas miseráveis, escondidos em nossas casas de oração, batendo no peito a clamar socorroescondidos com medo de nos mostrar em nome da causa do bem pelqual todos deveríamos nos expor e mostrar que, juntos, podemos muito mais!
Não se acanhem, não se iludam. Estamos em plena guerra espiritual, e, numa guerra, onde estarão os representantes de um reino em tudo superior aos reinos falidos dos homens e dos representantes das sombras?
Oremos, sim, rezemos mais ainda, mas sobretudo nos posicionemos, em nossas redes sociais, em nosso círculo de ação, em nossas famílias, no trabalho e na sociedade, enquanto é tempo — antes que seja levantada a bandeira da escuridão substituia do bem no seio do Brasil. Esteja de que lado estiver, defenda você qualquer ideologia que defender, qualquer partido político ou religião, saiba que você não está fora dessa luta e, se não se posicionar urgentemente, será arrastado pelo caudal das lutas e provações que já se avizinha da gente brasileiraocasionado pela política desumana e sombria dos seres das trevas e de seus representantes políticos no mundo.
Relembrando o pensamento de Edgard Cayce, numa de suas profecias modernas: nenhuma instituição, nenhuma família, ninguém ficará isento de passar pelas lutas e pelas provações coletivas que se abaterão sobre a nação neste momento grave de provas a que serão submetidos o povo brasileiro e o mundo em geral. Portanto, em nome do bem, em nome da justiça, em nome da ética e da sobrevivência de nossa nação, dos valores morais e das conquistas sociaisem nome de Jesus, que representa a política divina do Reino, convocamos você a se pronunciar, a se mostrar, a mostrar a sua cara e sair do comodismo de sua poltrona; sair às ruas e gritar, falar, divulgar nas redes sociais que nós, os que acreditamos num mundo melhor, não compactuamos com a situação, a posição e as atitudes de franco desequilíbrio espiritual, social, político, tampouco com o desrespeito como vem sendo tratado o povo brasileiro nos últimos tempos. Precisamos formar um feixe de varas, estar juntos, embora não fundidos, massobretudo, precisamos nos unir no propósito de enfrentar as hostes da maldade instaladas em Brasília e nos bastiões do poder em todo o território brasileiro. A bandeira do bem e da justiça urge ser hasteada, e os bons, os que dizem representar o bem, precisam sair de seu ostracismo e mostrar que realmente representam uma política divina, e não a política humana marcada pela corrupção dos valores e da fé.

Robson Pinheiro pelo espírito Tancredo Neves, na companhia dos espíritos José do Patrocínio e Getúlio Vargas

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Religião e tolerância.

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Vozes contra a intolerância. Do alto dos seus 90 anos de vida e luta, Mãe Stella fala sobre tolerânica e religiosidade neste trecho do documentário "Mulheres do Axé" do diretor Marcos Rezende.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

O HIV te toca? E você, toca o HIV?



O HIV e a AIDS ainda envolve muitos tabus e engana-se quem pensa que é só no Brasil. Mas nesse experimento feito em Helsinki, capital da Finlândia, uma campanha de conscientização joga luz sobre o tema.

Janne é finlandês e há tempos queria participar de uma campanha que desmistificasse o vírus HIV. O projeto da companhia Yle Kioski foi a oportunidade certa.

A organização trabalha para desafiar o medo que as pessoas têm com quem é portador da doença. Mesmo com a crescente quantidade de informação, o HIV e a AIDS ainda são alvo de muito preconceito. Muitos portadores sofrem com discriminação e exclusão social.

Janne é HIV-positivo e quis encarar a exclusão de frente. Ele saiu pelas ruas desafiando as pessoas a tocarem nele. Só isso.


Fonte:
http://awebic.com/saude/homem-com-hiv-lanca-desafio-em-praca-publica-mas-ele-nao-esperava-por-isso/

+Leitura:
Temos várias publicações que abordam o tema da AIDS e do HIV, sob a ótica do espiritismo. Testemunhos emocionantes que ensinam, inspiram e nos fazem refletir sobre nosso comportamento em relação ao tema.



Compre aqui:
www.casadosespiritos.com.br/livro/faz-parte-do-meu-show/
www.casadosespiritos.com.br/livro/cancao-da-esperanca/
www.casadosespiritos.com.br/livro/encontro-com-a-vida/

terça-feira, 21 de julho de 2015

A extinção da solidão.




Solidão.
Palavra pesada, conceito amplo, um temor quase que unânime. No final das contas o ser humano alcançou a poética contradição de ampliar as fronteiras da individualidade na mesma medida em que as enfraqueceu. Temos todas as ferramentas necessárias para vivermos em paz, de forma única e isolada. Mesmo assim, conseguir estar sozinho tornou-se um desafio.

Foi-nos dada a possibilidade de ampliar as nossas relações. Expandimos o mundo, as chances, as necessidades. A vida é fascinante, brilha como um letreiro neon em uma noite escura. Ligaram o mundo e agora ele funciona sempre. A internet pega fogo e as redes sociais saem por aí, zunindo e riscando o céu como fogos de artifício coloridos. Nós apenas ficamos parados, sentados na grama, observando tudo com os nossos redondos olhos de criança, admirados com tudo que aí está.

Aumentar as possibilidades de um jeito tão intenso pode ter seu preço. De repente nos são dadas inúmeras chances que, naturalmente, acabam se convertendo em responsabilidades, desafios. Antigamente havia mais espaço para o indivíduo se sentar à beira de uma calçada em uma tarde preguiçosa, acender um cigarro à luz do sol e ficar parado, sem fazer nada. Quando indagado sobre os projetos da vida ele apenas respondia que nada poderia ser feito a respeito. Hoje não há mais desculpas. Podemos ser dinâmicos, produtivos e criativos. Justamente, esse poder que paira nos horizontes acaba nos tirando as forças, uma vez que nos é exposto o melancólico fato de que fracassamos também porque não somos bons o suficiente para realizar algo.

Diariamente nos é dada a chance de militarmos politicamente no Facebook, debater e defender ideais, formar opiniões, conhecer novas pessoas, trocar sensações, procurar pelo amor e perdê-lo, sentir-se acolhido e ao mesmo tempo excluído. Blogs, vlogs, notícias, vídeos. Motivos para chorar, motivos para rir, imagens lindas, fotos toscas. Uma irresistível vontade de fazer parte de tudo e se lançar para o universo com todos os propósitos possíveis, só que, no meio disso tudo, somos sufocado por esse furacão de informações e acabamos caindo no chão de tão tontos, sem ao menos conseguir saber quem somos e o que queremos fazer.

Socialmente falando, as obrigações aumentam. As amizades se estendem para além do encontro físico e são simplificadas, sintetizadas e espalhadas em doses homeopáticas para o dia inteiro. Os encontros cada vez mais instantâneos nos deixam cada vez mais alerta. Somos obrigados a dar retorno, em existir, em estar presente quase que sempre. E no final das contas, conseguimos encontrar no fundo disso tudo uma obrigação que se sustenta a partir de uma tônica que permeia nossa existência quase que diariamente: afinal, estamos sozinhos, ou não?

Há um medo de se perder por aí, em meio a um rodízio de sonhos e de esperanças que desaparecem com a mesma velocidade com que surgem. Afinal, o quanto o nosso dia muda com uma mensagem visualizada e não respondida? Pequenas doses de stress que vão se somando e nos tirando o foco e que, no final das contas, nos proíbem de sentarmos e conversarmos com nós mesmos. O silêncio torna-se raro em um cotidiano em que a cada minuto eu posso ser alertado com um assobio de whatsapp.

Justamente, sem o silêncio não nos ouvimos. Sem o isolamento, sem preciosos instantes de existência, não nos enxergamos. O mundo anda ao nosso lado o tempo todo e fala, fala, fala. Nunca se cala! O espaço para respirarmos e escutarmos a nós mesmo esta cada vez menor. Detalhe: tal espaço, de fato, não diminuiu por conta de alguma imposição externa que nos obrigue a ficar conectados o tempo inteiro, mas sim a partir de um estado de sítio implantado no nosso ritmo interno.

Ocorre que nos foi dada um padrão de intensidade que, no final das contas, se converteu em ansiedade. Perdemos o costume de ficarmos sozinhos, porque vimos que as pessoas estão ao nosso redor e é fácil estar com elas. Porém, o distanciamento posterior acaba se tornando um desafio. Como aceitar a não comunicação. ‘Como assim, passar um dia inteiro sem falar com ninguém?’ Como se houvesse um medo interior que nos impedisse de ‘desperdiçar’ esse monstruoso aparato de interações. E então, a solidão nos remete à melancolia, a inatividade nos remete à inutilidade e nossa liberdade acaba nos aprisionando.

Fonte: Gabriel Affatato
http://www.updateordie.com/2015/06/09/a-extincao-da-solidao/

+ leitura:
Abordando temas modernos de nosso cotidiano, "Você com você", de Marcos Leão pelo espírito Calunga, traz um diálogo simples e cheio de bom-humor sobre nossas vidas. Reflete de maneira objetiva como viver melhor e mais perto da felicidade numa sociedade cada vez mais marcada pela ansiedade, pelo trabalho excessivo e pela falta do "lidar" humano. É um resgate do autoamor, de um encontro de você, com suas próprias verdades. Todas essas, libertadoras.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Black-child-power.



Carolina Monteiro tem oito anos de idade e mora em Divinópolis. Desde 2013, a mãe dela  Patrícia Santos, publica na internet vídeos em que a menina fala sobre o orgulho dos cabelos crespos. A última publicação rendeu mais de três milhões de acessos, vários comentários de apoio à atitude antirracismo, além de outros vídeos de crianças de cidades da região, que se manifestaram em defesa aos cabelos crespos da garota.  A mãe de Carolina é cabeleireira, sempre trabalhou com o cabelo afro e contou que, nas décadas de 70 e 80, ela também sofreu preconceito por causa do cabelo, na escola, na comunidade e até mesmo na família. "Sempre tinha algum engraçadinho com uma piada pronta para criticar o meu cabelo afro. A maioria das mães cortava o cabelo  estilo 'Joãozinho' ou fazia as trancinhas. É um trauma que afeta e muito a vida de muita gente adulta", contou.
Para evitar que a filha passasse por qualquer tipo de constrangimento, Patrícia sempre procurou conversar, ensinar a ela que o cabelo crespo também é bonito e que cada pessoa é diferente na sua forma de ser, no tom de pele, na cor dos olhos e assim por diante. "Esse diálogo que a mãe estabeleceu com a filha foi importante para identificar, além de fortalecer os vínculos e garantir que os seus direitos sejam também garantidos, evitando que a filha passe por situações no qual a mãe vivenciou em silêncio", avaliou a socióloga Adriana Eva.
As explicações valeram a pena. Quando Carolina foi para a escola, aos seis anos, ela passou por algumas situações de bullying, por conta do cabelo afro. “Uma coleguinha disse a ela na escola que o cabelo dela era ruim”, contou Patrícia.
A mãe, então, por brincadeira, sugeriu que elas gravassem um vídeo. Mas, nada foi  postado a princípio. O material só foi mostrado para amigos e parentes. Mas em seguida, ela teve outro momento marcante. Uma coleguinha de escola sugeriu que ela abaixasse o cabelo, que estava muito alto. Mais uma vez, a filha queixou-se com a mãe e foi então que elas retomaram a história do vídeo de desabafo. E seguindo a orientação de uma amiga, Patrícia resolveu divulgar na internet. O resultado foi uma grande mobilização entre os internautas, que apoiaram a atitude.
Hoje, circulam nas redes sociais três vídeos de desabafo e orientações para outras crianças que, por ventura, possam enfrentar situações de preconceito. “Criei um site onde há também gravações de outras crianças de cidades da região que apoiaram a atitude. Além disso, muitas mães me mandam mensagens de agradecimento, porque através destes vídeos as crianças têm conseguido entender melhor que cada pessoa é especial do jeito que é. A repercussão foi muito grande e eu fiquei muito surpresa com essa quantidade de compartilhamentos e visualizações. Já estamos preparando os próximos vídeos para essa onda de manifestações positivas não parem”, contou Patrícia.

Fonte:
http://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2015/04/crianca-faz-sucesso-na-internet-com-videos-antirracismo-em-divinopolis.html

quinta-feira, 14 de maio de 2015

O tempo das coisas.

por Lolô Sganzerla




O tempo que me habita não é o tempo das coisas. As coisas, elas têm um tempo próprio. Elas começam e acabam e transformam a gente nesse durante, num ritmo que é delas - e isso aí vira o nosso tempo. Mas as coisas, elas são como as estações do ano. Por exemplo, eu me pergunto como as árvores conseguem superar os invernos. Você não? Você nunca se espanta? Olhando pra elas lá, firmes, imperiosas, isoladas, nuas?

Admiro a paciência do carvalho. A impassividade dos pinheiros. Elas têm a compreensão profunda da hora certa, a paciência da espera para as coisas com hora marcada. É que as árvores vivem a eternidade do tempo certo. Elas não têm nem antes nem depois: são somente o agora.

Já eu… eu não. Ao contrário de mim, as árvores não têm vontade. Você já viu uma árvore ansiosa? Uma árvore em crise de pânico?

Como seria possível para nós, filhos do acaso ou de pais neuróticos, saber a precisão do tempo de cada coisa? Como acertar o tempo certo, com a exatidão da folha, que se recolhe, impassível, na espera de desabrochar com mais beleza? Esse instinto de relógio cuco não me pertence - desses que não atrasam um segundo e vêm com um pássaro impiedoso para não perder uma chance de me lembrar que tudo tem um tempo próprio: o amor, a solidão, o sexo, o riso.

Alguns povos tinham como sagrado esse papo do tempo das coisas, da medida exata, do momento presente. Mais que uma elegia ao equilíbrio, era o culto ao instante. Eles não subestimavam o poder do agora. Admirei. É um exercício para os fortes esse de lembrar de nunca esquecer que tudo pode mudar a qualquer momento. Diante disso, eu especulo: bastaria a demanda correta, um gesto, uma exigência para acertar o passo de cada um na dança da existência, que é sempre rumo ao fim? Seria possível conviver em paz com o que está sempre se esgotando?

Olhar o presente de frente é saber que só ele existe. É viver na finitude, no que escorre pelos dedos. Viver com isso tudo na sua cara exige a franqueza das crianças e dos estúpidos. Porque você vai cair na tentação de esquecer que tudo, absolutamente tudo, acaba. Você, assim como eu, vai se perder nas bobagens do dia a dia ou transformar a agilidade da moça do mercado em uma pedra filosofal capaz de determinar o sucesso ou fracasso da sua existência - e resumir isso tudo apenas numa atitude inadequade e mal direcionada, para não apontar tantos dedos... Porque é perturbador lembrar o tempo todo que tudo, absolutamente tudo, passa.

Menos o tempo das coisas.
O tempo das coisas é eterno. Mesmo que você não esteja mais presente, que tenha decidido ir embora e me deixar aqui, ou mesmo quando a gente decide abandonar tudo e vem aquela ânsia de sair pelo mundo e recomeçar. Também nessa hora o tempo das coisas está lá, pra colocar você no seu devido lugar. E você, quando saiu, deixou em mim o tempo da sua ausência. Nunca o do seu retorno. A volta, ela é sempre mais rápida. Tudo fica mais fácil quando a gente já conhece o caminho. Mas decidir não voltar demanda a bravura e a inocência daqueles que sempre acreditam. Será que a gente ainda poderia se encontrar, sem querer, em uma outra curva do caminho?

Difícil. Eu queria poder decretar uma lei que impedisse que algumas frases fossem compostas. Algumas palavras deveriam ser como elementos químicos, ter naturezas incompatíveis, combinações impossíveis de acontecer, impensáveis. Talvez assim eu conseguisse tornar algumas ações impraticáveis, algumas dessas que eu pratiquei, que você inventou. Elas seriam possibilidades que não existiriam mesmo nos sonhos mais loucos. Mas os sentimentos, assim como as palavras, são elementos complexos, independentes, que se ligam das formas mais estranhas para criar uma dinâmica particular. Eles se tornam mais profundos do que o que se deseja ou se espera deles, num compasso maluco que nos ensina, mais uma vez, a precisão da hora certa.

Por isso, veja bem, a importância do tempo das coisas, você me entende? Não dá pra acelerar ou deixar pra trás o ritmo dos sentimentos sem se tornar um hipócrita, um cretino ou cínico. Eles, como as coisas, têm o tempo que tem que ter e não dependem mais de mim ou de você ou de ninguém. Mesmo que pareça impossível concentrar no corpo a calma das árvores, o tempo das coisas acontece em nós. Justo em nós, que ficamos sempre perplexos pelas dissonâncias do que nos acontece. Justo em nós, que olhamos assombrados para o nada, nosso destino, nosso fim. Justo em nós, que precisamos transformar em nosso o tempo do outro… - sem jamais esquecer que ele é do outro.
E eu? Eu tenho que aprender a me demorar mais. A me demorar mais em você, nas coisas. Precisamos de mais tempo. Não sou só eu que me perco na duração do instante. É que as palavras - e junto com elas os sentimentos - se encontram e se combinam de forma abrupta na trama dos eventos, eu acho que só para determinar algumas escolhas. Me aconteceu você. Eu aconteci em você. Abortamos. Tempo errado.

Por isso, eu preciso encontrar uma forma de conquistar a impassividade dos pinheiros que sabem de cor a hora de cada pinha. Eu sou sempre antes, sempre cedo demais e, quando eu me dou conta, já é tarde demais. Aí o que me resta é perambular pelas dobras do tempo, quando ele deixa de ser linear, e se dobra em mim, na minha dor, na minha incapacidade em apreender o ritmo do mundo. Nessa hora ele habita o pensamento, ali se vive tudo ao mesmo tempo - nesse espaço impossível - o antes, o depois e o agora. Não importa a ordem. Será que é assim que abandonamos o que já foi sem nos lançarmos, como uma flecha, ao abismo que é o futuro?

Foi assim que eu aprendi que tem coisas piores do que ficar sozinho. Poderia não ter amigos. Poderia ser incapaz de lapidar a palavra, ou, tanto pior, eu poderia ser feia.

Só não pode ser cedo demais ou tarde demais. Agora preciso esperar que o próprio tempo dissipe esse aborto que é o ~ cedo demais ~ .

Nessa hora eu invejo profundamente toda e cada árvore. Elas vivem os invernos da alma com leveza. A tristeza, ela também é parte da vida. Então vou falar uma coisa, dessas que todo mundo sabe mas não tem tem muita coragem de falar em voz alta: precisamos aprender o tempo do triste. Eu e você. Para lembrar que ele também é tempo e, como tudo, passa. Só que eu, eu tenho uma natureza alegre. Ela é pouco tolerante ao tempo do cinza. Uma combinação difícil. Como conciliar forças tão divergentes? Se eu tivesse a natureza dos bambus, me curvaria, quieta, nos dias de vento e esperar passar. Se eu cultivar na alma a natureza de todas as árvores, será que eu consigo aplacar a fúria da pressa?

Porque o tempo, o tempo é tudo o que temos. O tempo das coisas que duram ou das que terminam. Há uma dignidade no fim. E há uma dignidade no tempo dos sentidos, assim como há uma dignidade na tristeza também.

Só assim podemos conviver com nossos erros e acertos ou nossas vidas destruídas: aceitando as coisas com o tempo de cada uma. De frente. No presente. Porque também há uma dignidade no fracasso. E há uma dignidade inclusive no desespero - a mais terrível forma de tristeza. É uma tristeza que não se quer se saber triste nem aceitar o tempo da espera. Mas também é quando a dor do erro descobre que não tem mais o que esperar. Quando não há o que esperar, o tempo aquieta. Paralisa.

Aí você me pergunta: e você?
Eu?

Eu desesperei - enquanto todos encaravam, com horror e espanto, a fragilidade de uma alma incapaz de se render ao tempo das coisas.